Yahoo

Saturday, 28 August 2010

De Colônia Penal a Kafka

Continução do blog 1 - Do Início...

...Foi então no dia 13 de Agosto de 1985 com Paulo e Tayo tocando juntos violão e piano que nossa aventura musical nasceu. Eles decidiram chamar essa dupla Colonia Penal, título de um livro de Franz Kafka , mas depois eles resolveram optar pelo nome de Kafka, que era um dos escritores preferidos do Tayo.

A primeria música que eles tocaram juntos foi um cover the Lady Stardust do David Bowie, não existe uma gravação desta época, mas depois como homenagem nos gravamos uma outra versão desta música. Outras músicas que fizeram em seguida foram Procissão e Hora do Recreio mas a última nunca fez parte de nenhum show. Recentemente nos a prestamos homenagem, já que é uma das nossas músicas mais antigas, e incluímos alguns de seus versos na nossa música Victoria.

Quando chegou a hora de recrutar novos membros para a banda, eu como uma roadie exemplar, chamei um amigo da minha Faculdade que era de família Inglesa e tinha o visual perfeito para ser cantor de uma banda, Brent Hieatt. Brent não só tinha o visual perfeito (Um pouco parecido com o Orlando Bloom no papel de Legolas no Senhor dos anéis, mas de cabelo curto), mas ele também tinha ótima presença de palco, cativante, quando mais tarde tocamos shows ele mantinha os olhos de todo mundo da platéia grudado nele e não devia nada a nenhum cantor de uma banda da Factory Records.

Eu, Sérgio e Brent
Tayo recrutou um velho amigo, antigo mesmo, dizem que suas Mães eram amigas e ficaram gravidas juntas, e eles nasceram uns quatro dias de diferença um do outro. Sergio seria nosso baterista, não tinha muita experiência anterior, alias não tinha nem uma bateria, mas ele aprendeu e praticava em almofadas arrumadas na posição de uma bateria. Quando nós finalmente arranjamos uma bateria ele tocava com tanta força que tinha que trocar as peles quase toda semana, já que tinha se acostumado a tocar almofadas que não faziam som nenhum. Existem varias estórias sobre esse hábito dele de tocar com força, a mais notória foi em um de nossos shows em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, quando o show foi cancelado porque quando o baterista da banda que estava dividindo a noite e a bateria conosco o viu tocando na passagem de som, recusou nos emprestar a bateria. Nós estávamos em outra cidade e não havíamos trazido a nossa! Falando sério agora, Sérgio tinha um estilo único que se desenvolveu a partir de horas ouvindo seu baterista favorito Neil Peirt da banda Rush. Ele também instintivamente incorporava sua própria batida Brasileira na mixtura o que se tornou depois nossa marca registrada, talvez pelo seu amor pelo carnaval e sua herança Bahiana.

Com o Brent no vocal, Tayo na guitarra, Paulo nos teclados e Sergio na bateria eles começaram a procurar por um baixista. Paulo pensou talvez em assumir um estilo "Doors" com o baixo tocado no teclado, mas por fim foi a obsceção do Tayo com o terceiro disco do Gang of Four (que não era o melhor mas quando se tem 20 anos se comete erros...) que os levou a experimentar várias "Sarahs Lee". Um dia, cansado de explicar o que ele queria para os candidatos, Paulo pegou o baixo da menina que estava tentando fazer parte da banda, e mesmo sem nunca ter tocado antes, saiu tocando como se ele tivesse nascido com a coisa pendurada no pescoço. Eu ainda me lembro como depois de 30 minutos tocando ele tinha bolhas de sangue em seus dedos (Talvez isso explique porque ele depois resolveu tocar com uma palheta). Parecia então lógico que ele se tornasse o baixista do Kafka, mas quem então tocaria teclados? Como nossas músicas tinham muitos teclados e a única pessoa que sabia tocar teclados disponível nas redondezas era sua querida narradora que vos fala... Em um dia fui promovida de Roadie a Gillian Gilbert. Eu fiquei super contente, mas ao mesmo tempo com medo de pensar em tocar em shows e enfrentar o publico de cara a cara com a minha Síndrome de Aspergers, mas surpreendentemente quando existe uma motivação envolvida, neste caso a música, voce acaba por superar suas limitações.

Compramos nossos instrumentos pelo jornal Balcão, eu me lembro que eu tinha um Casiotone, eu acho que tinha uma seleção de 6 a 8 sons e também rítmos pré-programados, nós até usamos um deles como introdução em uma de nossas músicas, como uma brincadeira, é claro.

Nos nos encontramos na casa do Brent no Rio, em sua garagem mais precisamente, será então que isto significa que éramos uma banda de garagem? Um vizinho havia deixado uma bateria lá, será que foi pré-destinado? Nós ensaiamos lá, semana após semana, até que uma vizinha, a Dona Branca (De repente saiu do jogo do Detetive?) reclamou com a polícia, sem dúvida do estilo "suave" do Sérgio tocar, mas nós continuamos a ensaiar então em um estudio profissional, e o Kafka continuou a tocar...
Continua no próximo blog...
Fotos: 1 - Tayo Carvalhal, 2 - Tom Hieatt

No comments:

Post a Comment